Solo exhibition

PT

A arte brasileira é canibal.

Crescendo em um país colonizado, a artista Patrícia Colmenero se acostumou a uma dieta de referências estrangeiras. Como muitos brasileiros em busca de uma expressão própria, ela aprendeu a comer o que vinha de fora: imagens, estilos, cânones, fantasias, violências estrangeiras. Mas o que se come não volta igual. Volta digerido, contaminado, misturado, regurgitado.

Gringo à Brasileira reúne trabalhos de Patrícia Colmenero. A exposição revisita imagens coloniais do Brasil para devorá-las, transformá-las e devolvê-las através de um gesto antropofágico.

Tomando emprestada a linguagem das receitas, o título sugere uma operação de digestão, mistura e reinvenção: o olhar estrangeiro entra no cardápio e é preparado “à brasileira”. O arquivo colonial não é tratado como origem pura, mas como resto, herança, cópia, tempero e matéria viva.

Nas obras, figuras historicamente vistas como exóticas, monstruosas ou disponíveis ao consumo visual olham de volta. O retrato deixa de ser documento e se torna confronto. Gringo à Brasileira prepara o passado colonial do Brasil como prato e o serve para o público.

EN

Brazilian art is cannibalistic.

Growing up in a colonized country, artist Patrícia Colmenero became used to a diet of foreign references. Like many Brazilians searching for a language of their own, she learned to consume what came from elsewhere: foreign images, styles, canons, fantasies, violences. But what is consumed never returns unchanged. It returns digested, contaminated, mixed, regurgitated.

Gringo à Brasileira brings together works by Patrícia Colmenero. The exhibition revisits colonial images of Brazil in order to devour them, transform them, and return them through an anthropophagic gesture.

Borrowing the language of recipes, the title suggests an operation of digestion, mixture, and reinvention: the foreign gaze enters the menu and is prepared “Brazilian style,” or “À Brasileira.” The colonial archive is not treated as a pure origin, but as residue, inheritance, copy, seasoning, and living matter.

Throughout the works, figures historically seen as exotic, monstrous, or available for visual consumption look back. Portraiture ceases to function as document and becomes confrontation. Gringo à Brasileira prepares Brazil’s colonial past as a dish and serves it to the public.

251 Tapuia Woman, 2026

Oil on canvas

63 x 57 in

152 Canja, 2026

Acrylic on canvas, waxed thread,

and silver spoons

42 x 32 in

71 Prato à mesa, 2026

Oil on canvas

24 x 30 in

44 Drama Queen, 2026

Oil and acrylic on canvas

46 x 31 in

Mulier Vulnerata, 2026

Oil, thread, hair, resin, and tin foil on canvas

40 x 15 in

350 De peito aberto, 2026

Plaster and oil paint on found mannequin

25 x 13 in

008 Untitled, 2026

Oil on canvas

46 x 34 in

242 Colonial project, 2026

Turmeric anthotype on canvas,

waxed thread, and tree branch

canvas: 96 x 20 in

tree branch: 78 x 24 in

Previous
Previous

The Self-Portraits Project